domingo, 12 de janeiro de 2014

Suplementos e atividade física




Atletas e praticantes de atividades esportivas são diariamente bombardeados por uma infinidade de informações veiculadas através de revistas, televisão e internet a respeito do uso de suplementos para melhora de performance. Enquanto alguns destes produtos têm benefício comprovado, outros não apresentam evidências científicas de que funcionam e alguns podem até causar sérios efeitos adversos à saúde.
Aqui estão alguns destes suplementos e comentários sobre eficácia e segurança:

CARBOIDRATO
Durante a atividade física, o carboidrato tem papel chave na produção de energia. Além de atuar na prevenção da fadiga (mantendo o estoque de glicogênio muscular), também poupa o uso de proteínas como fonte de energia, evitando a perda de massa magra. Para indivíduos que praticam exercícios de 3 a 4 x por semana, com duração inferior a 60 minutos por atividade, a quantidade de carboidratos pode ser atingida através da dieta, sendo a suplementação desnecessária. Porém, naqueles que se submetem a maiores cargas de treino, com objetivo competitivo, o uso de suplementos contendo carboidratos de rápida absorção (maltodextrina, dextrose) apresenta benefícios comprovados. Deve ser utilizado antes, durante e após o treino.

PROTEINA
A proteína é necessária para a manutenção da massa muscular pós-exercício, facilitando a recuperação pós-treino e melhorando a tolerância ao esforço físico. Indivíduos em atividade física necessitam aproximadamente de 1,4 a 2,0 gramas de proteína por kilo de peso corporal por dia. Idealmente esta quantidade de proteína deve ser atingida através de alimentos, porém, não sendo possível, o uso de suplementos (whey protein) é seguro e conveniente. Quanto ao horário de uso, alguns estudos mostram benefícios maiores se o suplemento for utilizado no período após o treino.

AMINOACIDOS DE CADEIA RAMIFICADA (BCAA)
Na teoria, o uso de BCAA durante treinamento intensivo diminui a degradação proteica muscular levando a ganho de massa magra, além de diminuir a fadiga. Porém, há ainda muita controvérsia nesse tema e poucos estudos, não havendo evidências que atestem sua eficácia. Quanto à segurança não há nenhum efeito adverso ou risco á saúde. Assim, este tipo de suplemento é seguro e possivelmente tem benefícios, mas ainda são necessários mais estudo para se tirar uma conclusão.

CREATINA
A creatina é um aminoácido secretado pelo fígado e armazenado no músculo. Ela possui papel na formação de ATP durante produção de energia anaeróbia pelas fibras musculares. Os suprimentos de creatina no músculo são limitados, sendo que, após 5 a 10 segundos de exercício explosivo (alta intensidade), seu estoque vai diminuindo, gerando fadiga. Assim, a suplementação de creatina poderia ajudar na eficiência da contratilidade muscular.        Estudos mostram que a suplementação de creatina tem efeito comprovado no ganho de massa muscular e aumento de capacidade anaeróbica no exercício. Este ganho de massa muscular está relacionado ao aumento da capacidade de realizar exercícios de alta intensidade e curta duração, promovendo adaptação ao treino e hipertrofia muscular. No caso especifico da natação, uma revisão da literatura mostrou um possível benefício no desempenho em repetições de séries intervaladas. Quanto a segurança, se tomada nas doses recomendadas aparentemente não há riscos de complicações à saúde. O único efeito colateral observado é o ganho de peso, relacionado à retenção de água dentro do músculo. Casos de problemas renais e hepáticos foram observados em indivíduos que utilizaram altas doses por períodos prolongados.

ESTEROIDES ANABOLIZANTES
Esta categoria inclui todos derivados sintéticos do hormônio testosterona (Durateston, Nadrolona, Oxandrolona, Estanozolol). Os esteroides anabolizantes promovem aumento de massa muscular e diminuição da gordura corporal. Estas mudanças estruturais, em atletas, resultam em aumento de força, melhorando a performance esportiva. Porém, os efeitos colaterais são inúmeros: aumento do colesterol, hipertensão, ginecomastia (aumento das mamas em homens), comportamento agressivo, tumores no fígado, infertilidade masculina, aumento do clitóris em mulheres (efeito irreversível), etc.. Por isso é uma substância de uso controlado, prescrita apenas para situações médicas específicas.

GH (HORMÔNIO DO CRESCIMENTO)
Apesar de extensamente propagado em sites comerciais de suplementos, cientificamente o GH não possui efeitos de melhora em performance esportiva. Diversos estudos em atletas não mostraram benefícios significativos em força e capacidade física. Apesar disso, seu efeito na melhora da composição corporal (aumento de massa magra e diminuição de gordura) já foi comprovado. Ou seja, ele aumenta a massa muscular sem melhorar a capacidade funcional. Importante salientar que o GH é uma medicação injetável, só vendida em farmácias com prescrição médica, sendo que, suplementos vendidos que prometem aumentar a produção de GH não têm regulamentação. Os efeitos colaterais do uso do GH a longo prazo são: inchaço, dores articulares, síndrome do túnel do carpo e aumento da glicemia.

Deste modo, antes de utilizar suplementos esportivos é recomendada a avaliação do médico e do nutricionista, que vão orientar o atleta quanto á alimentação e, quando necessário, o uso de suplementos de maneira segura.


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