sábado, 23 de fevereiro de 2013

Ginecomastia




É definida como o crescimento de tecido mamário em indivíduos do sexo masculino. É comum os garotos notarem esse crescimento durante a puberdade. Pode ser uni ou bilateral e pode ser progressivo, chegando às vezes as proporções de uma mama feminina completamente desenvolvida. As causas de ginecomastia são divididas em fisiológicas e patológicas, porém o mecanismo básico que origina a ginecomastia consiste no desequilíbrio hormonal, pois vários hormônios, principalmente testosterona, estrógeno, progesterona, hormônio do crescimento (GH) e prolactina, atuam no desenvolvimento das mamas.
Ginecomastia fisiológica: pode aparecer no recém-nascido, na puberdade ou na senilidade.
Ginecomastia do recém-nascido: ocorre transitoriamente e é causada pelos altos níveis de estrógenos e progesterona da mãe, que ultrapassam a placenta.
Ginecomastia puberal: é a mais comum e a que mais traz o paciente ao consultório para uma avalição. Pode afetar até 60% dos adolescentes, ser uni ou bilateral, mesmo quando não é volumosa pode afetar psicologicamente o paciente e se resolve em três anos a partir do seu início. A ginecomastia, nessa fase, parece ser decorrente de uma relação de hormônios masculinos/hormônios femininos reduzida, que tende a se normalizar com a maturação dos testículos.
Ginecomastia senil: ocorre geralmente após os 60 anos e ocorre como consequência das modificações hormonais presentes nessa fase da vida, como a redução da testosterona (andropausa).
Ginecomastia patológica: A ginecomastia pode ser a primeira manifestação de um tumor (como tumores de testículos ou de supra-renais) ou de doenças sistêmicas (como doenças crônicas do fígado, do rim e obesidade), defeitos hormonais, alterações genéticas raras, além de poder ser resultante do uso de medicamentos e várias outras substâncias, entre elas: esteróides anabolizantes, medicações hormonais, alguns anti-hipertensivos, alguns anti-depressivos, anti-psicóticos, anti-micóticos, alguns antibióticos e antiretrovirais, maconha, heroína, dentre outras.
Diagnóstico
Para o diagnóstico correto a história clinica é muito importante. Atenção particular deve ser dada ao tempo de evolução e uso de medicamentos. Sintomas de redução da libido e disfunção erétil também devem ser pesquisados.
O exame físico é essencial. Inicialmente, através da palpação, deve-se fazer a diferenciação entre ginecomastia e lipomastia (onde há apenas excesso de gordura, presente em meninos com sobrepeso ou obesidade). A palpação também permite identificar o câncer de mama, que, apesar de raro em homens, deve ser imediatamente tratado. Além disso , o exame dos testículos é fundamental para afastar problemas nesta glândula.
De acordo com a indicação médica, podem ser solicitados exames complementares como dosagem de hormônios no sangue e ultrassonografia de testículos. Uma ultrassonografia de mamas também é útil na diferenciação com lipomastia e câncer de mama.
Tratamento
O tratamento vai depender da causa. No caso da ginecomastia puberal a maioria dos pacientes não requer nenhum tratamento pois , geralmente , é uma situação reversível que costuma normalizar num período de 1 a 3 anos. Medicações podem ser utilizadas em algumas situações, porém, possuem eficácia limitada e indicações específicas. Estas atuam interferindo na ação do hormônio estrógeno.
O Tratamento Cirúrgico
    Após a avaliação clínica, havendo sintomas clínicos (como dor, desconforto) ou psicossociais, a cirurgia pode estar indicada nos seguintes casos:
  • Se detectado uma causa para a ginecomastia e esta for tratada, mas o quadro persistir;
  • Se a ginecomastia puberal não regredir;
  • Se houver lipomastia.

  • A cirurgia visa à diminuição do volume mamário, quer seja retirando a glândula ou o tecido gorduroso.
A cirurgia
É realizada em ambiente hospitalar, sob anestesia (local com sedação ou geral).
Para a retirada da glândula é realizada uma incisão ao redor da aréola, deixando assim a cicatriz mais discreta. Porém quando há excesso de pele, além da glândula a pele também deve ser retirada acarretando uma ampliação da cicatriz.
Para a retirada da gordura são realizadas incisões menores e laterais, e realizada a aspiração.
Podem ocorrer complicações locais como: hematoma, seroma, infecção, cicatriz inestética (quelóide e cicatriz hipertrófica), alteração da sensibilidade e irregularidades, por isto cuidados no pré e pós operatório são importantes para evitá-las.
A recuperação pós-operatória se dá nos primeiros dias, seguida de um período de repouso relativo, cujo tempo é determinado pelo tipo de procedimento. Nas ressecções glandulares é necessário somente o cuidado com a ferida operatória. Caso seja realizada uma ressecção mais ampla ou a lipoaspiração, é necessária a utilização de malhas compressivas ao redor de um mês, com restrição relativa à atividade física no período.
A cirurgia de ginecomastia é um procedimento individualizado, portanto a avaliação por profissionais da área e a discussão conjunta sobre a opção mais adequadas é importante para um bom resultado.
Dra Patricia Yuko Hiraki - Cirurgia Plastica

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